Sempre acreditei no poder das coisas simples.
Sou fruto de uma família meio dispersa emocionalmente, mas muito engraçada quando o assunto é mostrar a importância do outro.
Minha excelentíssima mãe, por exemplo, é apaixonada por mensagens de “bom dia” no WhatsApp. Mas não se engane: não é permitido enviar qualquer mensagem. Precisa ser daquelas com imagens e textos bonitos para agradá-la. Ela gosta de enviar para todos os amigos e sente alegria ao ler as mensagens que recebe. Já aqueles que não enviam correm o risco de serem ‘cancelados’ por ela.
Confesso que detesto mensagens de “bom dia”, mas sei que, mesmo quando estou em sua casa, na sua frente, ainda assim busco colaborar com a programação especial de “bom dia” da minha mãe. Sei que ela sorri quando recebe, e isso, para mim, é motivo suficiente. Faço questão de ser a patrocinadora oficial dessas mensagens — não para receber o título de filha preferida (que, até pouco tempo atrás, era muito disputado por mim e meus irmãos), mas para que ela desfrute daqueles poucos segundos lendo algo que deixa seu dia 1% mais feliz (porque a maior parte dessa felicidade depende dela).
Já meu pai gosta de chocolate (e quem não gosta?). Bombons, para ser mais específica. Mas não pode ser qualquer bombom: ele ama “Amor Carioca”. Já o presenteei com outras marcas, mas essa segue sendo a sua favorita. É simples, mas é o que ele gosta. Quando o questionei sobre sua preferência, confessou que isso o faz recordar a infância.
Quando ele me revelou isso, eu o entendi profundamente. Acredito que todo mundo chega a uma fase da vida em que precisa da nostalgia de ser criança, de relembrar como é bom deixar os dias mais leves, de apreciar a vida sem pressa.
Pois bem, toda vez que vou visitá-lo, lembro de comprar uma caixinha para ele. É algo simples, mas simbólico — assim como toda linguagem de amor. Isso se tornou um ritual. É claro que ele pode comprar uma caixinha de bombom quando quiser, mas vejo como é diferente quando eu entrego uma para ele. O semblante sério logo se ilumina com um sorriso, como se dissesse: “você se lembrou”. Para ele, isso é especial. É mágico. Percebo isso quando seus olhos se enchem de lágrimas, que ele disfarça muito bem.
Sei que ele fica feliz ao receber o presente, não pelo doce em si, mas pelo amor contido naquele pequeno gesto.
Às vezes, não nos damos conta do superpoder que temos ao realizar pequenas coisas no dia a dia, capazes de serem significativas na vida de quem nos cerca. Pode ser por meio de uma mensagem de texto, de um abraço em alguém que você gosta, da forma como interage com um colega de trabalho ou até mesmo com o caixa do supermercado.
Muitas vezes pensamos que não temos nada a oferecer. Mas o que não percebemos é que até aquele sorriso dado sem pensar pode ter sido um pequeno milagre no dia de alguém desconhecido.
No fim, acredito que a vida é mais sobre o quanto um gesto simples pode deixar uma marca bonita no coração de outra pessoa.
E, no final das contas, é só isso o que realmente importa.
Às vezes, só precisamos ser lembrados do superpoder que carregamos. Por isso, deixo aqui o convite para espalhar um pouco da grandeza das pequenas coisas.
Seja você também um patrocinador de gentilezas.






