Sempre me apaixonei fácil. Por livros, por histórias, por pessoas. Pela simplicidade das pequenas coisas, pelo sorriso de uma criança, por lugares que ainda nem sei se vou visitar.
E, com o amor, não é diferente. Enquanto a paixão vem e passa, o amor chega e fica.
Para muitos, ele gera certo desconforto por causa de sua intensidade. Mas o amor não nos impõe condições: ele vem como onda inesperada e molha nossos pés.
Sentimos a água nos tocar, mas temos receio de atravessar a onda — mesmo que ela venha até nós, mesmo que se aproxime com delicadeza.
É assim que nos sentimos quando encontramos alguém que também sente muito: temos medo de onde a onda pode nos levar. Por isso, amar depois de certa idade é um tanto desafiador. Quando o outro corresponde, então, pode ser um mergulho sem volta.
Não sei de onde vem essa resistência em sentir o que precisa ser sentido. Talvez seja o medo de não estar preparado — de não estar pronto nem mesmo para molhar os pés.
E daí se for passageiro? E daí se durar só um mês, um ano ou uma década?
Mas… e se nos fizer mergulhar?
Acredito que esse seja o ponto para a maioria das pessoas: temos medo do que pode acontecer. Medo do desconhecido. E o outro é o desconhecido.
Quem tem medo de nadar não consegue entrar no mar. Não suporta as águas revoltas, afoga-se na primeira onda e naufraga.
Talvez por isso digam que o amor é para quem tem coragem. É preciso ação para amar. Coragem para nadar em mares profundos, sem medo de descobrir para onde aquelas águas poderão nos levar.
O amor nos deixa leves — por isso, é mais fácil se entregar à correnteza do que resistir a ela. Não é necessário resistir àquilo que nos conduz com a leveza de quem sabe para onde vai.
Amar é coisa de gente grande.
De quem deseja unir-se ao outro só para descobrir o oceano da vida.
É querer ser imensidão, mesmo sem saber os segredos que as águas guardam.
E, por ser profundeza desconhecida, assusta quem tem medo de nadar.
A água quer movimento. O amor também. É fluidez, entrega, mergulho.
Mas também é tempestade. E furacão.
Por isso, só gente grande entende de oceano.
E a maioria nunca nem entrou no mar. Muito menos… na água.
Acredito que seja por medo de se afogar nos próprios vazios.
Afinal, no oceano não existe salva-vidas.
É preciso nadar como se sua vida dependesse disso.
Porque depende.
Enquanto o medo nos impede de encontrar as águas que nos transbordam, o amor encoraja aqueles que se aventuram no desconhecido — para mergulhar no oceano e, quem sabe, descobrir os tesouros que estão em suas profundezas.
Mas, para isso, é preciso estar disposto a entrar na água.
Portanto, faça como gente grande:
Quando a onda tocar os seus pés, não recue. Dê o primeiro passo, depois o outro.
Mesmo que você ainda não saiba nadar, nunca é tarde para aprender.
E o amor sempre ensina os que estão dispostos a mergulhar no oceano.






