Existe uma pergunta que sempre me fazem: “Será que a leitura realmente muda a vida de alguém?”. Depois de seis anos criando conteúdo na internet, eu olho para a mulher que começou essa jornada literária em 2020 e não reconheço mais aquela pessoa. E a “culpa” disso é, sem dúvida, desta lista de livros que transformaram minha vida para sempre.
Quero compartilhar com você alguns trechos marcantes que funcionaram como verdadeiros divisores de águas na minha trajetória criativa e pessoal.
1. Qual é a tua obra? (Mario Sergio Cortella)
Tudo começou com o Cortella. Antes mesmo de colocar meus primeiros projetos no ar, eu precisava entender profundamente o meu propósito. Foi nas páginas deste livro que encontrei um trecho que se tornou meu mantra diário:
“É necessário que eu me reconheça naquilo que faço.”
Essa frase deu o tom de tudo o que eu construí até hoje. Se eu não pudesse me enxergar em cada roteiro, em cada linha escrita ou em cada indicação literária, o meu trabalho não faria sentido. Foi esse reconhecimento e essa busca por autenticidade que me deram a coragem necessária para começar.
2. Roube Como um Artista (Austin Kleon)
Com o tempo e o crescimento do meu trabalho, veio aquela pressão silenciosa de ser sempre coerente, de manter um estilo rigidamente definido. Foi quando o autor Austin Kleon me trouxe o maior alívio criativo da vida com este trecho libertador:
“Não se preocupe com a coerência de uma parte e outra — o que unifica todo o seu trabalho é o fato de que você o fez.”
Entender que a verdadeira unidade do meu trabalho sou eu mesma, com todas as minhas fases, mudanças e imperfeições, me deu a liberdade criativa que eu tanto precisava para crescer e me expressar sem amarras.
3. Herdeiras do Mar (Mary Lynn Bracht)
Nesta emocionante ficção histórica, acompanhamos a trajetória das irmãs Hana e Emi na Coreia de 1943, durante o doloroso período da ocupação japonesa. Na trama, Hana se sacrifica para salvar a irmã e acaba se tornando uma “mulher de conforto” (uma forma de escravidão imposta pelo exército japonês).
Trata-se de uma narrativa profunda sobre traumas profundos, mas, acima de tudo, sobre a força indestrutível do espírito humano e a preservação da identidade através da memória. Sobre essa delicada questão identitária, um trecho específico me marcou profundamente ao ler a página deste livro, revelando como as lembranças nos mantêm vivos.
“Palavras são poder, seu pai lhe disse certa vez depois de recitar um de seus poemas políticos. Quanto mais palavras você conhece, mais poderoso você fica. É por isso que os japoneses proibiram nossa língua nativa. Limitando nossas palavras, eles estão limitando nosso poder.”
4. A Bibliotecária dos Livros Queimados (Brianna Labuskes)
E quando o assunto é resistência e resiliência, não dá para esquecer que a maior arma contra qualquer tipo de opressão sempre foi — e sempre será — o conhecimento.
Em A Bibliotecária dos Livros Queimados, encontrei uma lição fundamental sobre o poder imensurável que as histórias têm de nos manter de pé, mesmo nos tempos mais sombrios da humanidade. Ao ler suas páginas, compreendemos que os livros guardam a nossa humanidade.
“A biblioteca era importante. Tinha começado como um símbolo, um farol, um baluarte.
A partir dali, tornara-se um recurso prático. Quem trabalhava lá mudava a opinião das pessoas com as informações que oferecia.
Mas se um lado daquela guerra era composto por homens brutos com sede de sangue, e o outro era composto de homens que paralisavam diante da violência, Hannah não sabia mais se o segundo grupo tinha alguma chance.
A caneta poderia destruir uma nação. Mas, quando o fizesse, quantos corpos a espada já teria ceifado?”
5. E se eu Morrer Amanhã? (Filipa Fonseca Silva)
Falando em lições de vida, este livro me trouxe um conselho de ouro que guardo até hoje como um amuleto de proteção. É o momento em que a avó, que representa a verdadeira alma dessa narrativa, diz de forma visceral para a sua neta:
“Sabes, filha, só aprendi a ignorar o que os outros pensam sobre mim quando percebi que não tenho nada a provar-lhes. Agora, posso fazer o que quero, e só ambiciono aproveitar o que me resta da vida com liberdade.”
Esse trecho é um lembrete urgente sobre a importância de sermos nós mesmas, independentemente da nossa idade, do nosso momento de vida ou do julgamento alheio.
6. Ponciá Vicêncio (Conceição Evaristo)
Para quem, assim como eu, às vezes sofre com a ansiedade e tem pressa de ver os resultados dos projetos, a escritora Conceição Evaristo trouxe a paz e o aterramento necessários através desta metáfora irretocável:
“Tudo tem o seu tempo certo. Não vê a semente? A semente semeia e é preciso esquecer a vida guardada debaixo da terra, até que um dia, no momento exato, independente do querer de quem espalhou a semente, ela arrebenta a terra desabrochando o viver.”
Não há nada mais reconfortante do que lembrar que o fruto colhido no tempo exato da maturação é sempre o mais saboroso.
Qual livro mudou a sua história?
Esses foram alguns dos principais livros que transformaram minha vida, moldando a forma como eu me comunico e enxergo o mundo através das palavras.
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Agora eu quero saber de você: já leu alguma dessas obras? Qual trecho literário já tocou o seu coração de forma inesquecível? Deixe seu comentário abaixo.






