Já imaginou se a sua avó usasse o Tinder? E o melhor: que você pudesse conversar abertamente sobre sexualidade com ela? Pois sim, essa avó existe no romance “E se eu morrer amanhã?”, da autora portuguesa Filipa Fonseca Silva.
Se você procura uma leitura fluída, divertida e profundamente necessária, prepare-se para se apaixonar por essa história.
O incêndio misterioso e a mudança inesperada
A narrativa começa com um incêndio muito suspeito no apartamento de Helena, uma viúva de quase 80 anos. Após o incidente, ela vai parar no hospital, e os médicos acabam contatando sua filha, Luísa, para buscá-la.
A princípio, Helena não sofreu nenhuma lesão física, mas o curioso é que ela sai do hospital enrolada apenas em um lençol…
Como boa parte de sua sala foi atingida pelo fogo e o local precisa ser interditado para reforma, Helena é meio que obrigada a passar uns dias na casa da filha. Lá, ela vai conviver de perto com o genro, Ricardo, e com sua neta, Mafalda — uma jovem que ainda está incerta sobre o rumo que deve seguir em sua vida adulta.
Os segredos de Helena
Helena também é mãe de Rui. Como ele e a esposa estavam viajando quando o acidente aconteceu, eles ficam responsáveis por acompanhar a reforma do apartamento interditado.
É aí que a história ganha um rumo surpreendente: durante a limpeza, eles acabam encontrando alguns acessórios dela que são meio suspeitos. A família inteira começa a duvidar da vida pacata que Helena levava entre chás com suas velhas amigas e atividades típicas da terceira idade.
Confrontada pelos filhos, Helena resolve abrir o jogo e revela que não é a idosa recatada que eles imaginavam.
A partir desse ponto, a narrativa assume outra forma. O livro nos transporta para o passado de Helena, contando sobre:
Sua juventude e o primeiro amor;
O casamento com Alberto (o pai de seus filhos);
As limitações e regras do que ela “deveria ou não fazer” enquanto estava casada;
As infinitas possibilidades que se abriram após a morte do marido.
Uma leitura divertida, emocionante e sem tabus
Com 224 páginas, o livro é narrado ora em terceira pessoa, ora pela própria Helena. Filipa Fonseca Silva entrega uma escrita fluída e muito divertida. Um ponto alto é que, apesar de tratar abertamente sobre sexualidade feminina, o livro não utiliza linguagem vulgar em momento algum.
O romance nos permite dar boas risadas, mas também nos emociona com reflexões profundas sobre:
O papel da mulher na sociedade;
O envelhecimento e o autoconhecimento;
A importância dos laços e relacionamentos familiares.
Por que você precisa ler esse livro?
“E se eu morrer amanhã?” é uma obra que nos convida a quebrar preconceitos. Ela traz lições valiosas sobre a importância de não tratar a sexualidade como um tabu, principalmente entre as mulheres.
Confesso que li este livro sentindo como se estivesse em uma conversa real entre avó e neta. Inclusive, fiquei pensando o quanto seria importante se as minhas próprias avós tivessem tido a oportunidade de ler uma obra assim antes de partirem.
Para além da sexualidade, o livro nos convida a refletir sobre a importância que damos a coisas que, no fundo, nem importam tanto assim. Helena descobre isso ao longo de sua jornada e compartilha esse aprendizado com a neta. É um livro sobre nos prepararmos para o nosso último dia aqui, mas, acima de tudo, sobre apreciar a vida e vivê-la em sua totalidade.
Ficou curiosa para descobrir todos os segredos da Helena e se emocionar com essa história?






