Nos últimos dias, precisei comparecer a uma reunião urgente. A pauta era mais delicada do que se pode imaginar: conflitos internos. Apenas uma pessoa estava presente: aquela que a convocou.
Mas não foi a primeira vez que participei de uma reunião assim e, certamente, não será a última. A cada mês, ou, pelo menos, a cada trimestre, convido-me para uma conversa íntima com aquela que comanda todos os setores internos. Ela, no entanto, não diz nada. Apenas observa.
Dessa vez, a pergunta que ecoou dentro da sala e me tirou o ar foi:
“Você tem sido fiel?”
Sim, parece uma pergunta difícil, e realmente é. Confesso que nunca estou pronta para respondê-la. Por isso, quando ela aparece, procuro por palavras dentro de mim que talvez aliviem o peso do silêncio.
Afinal, fidelidade é coisa séria.
E, quando se trata de fidelidade àquilo que nos comprometemos internamente, o desafio é ainda maior.
Diante da pergunta da minha Supervisora Interna, calei-me e apenas observei.
Será que fiz algo que comprometeu meus valores? Disse “sim” quando queria dizer “não”? Falei ou pensei mal de mim mesma? Deixei de fazer algo importante por mim para agradar outra pessoa?
É, caro leitor… Conversas difíceis como essa sempre acontecem nas salas de reuniões internas.
Mas a pergunta que mais ressoa, depois de tudo, é:
Como sei que não fui fiel a mim?
Acredito que uma boa resposta seria o fato de que essa infidelidade sempre causa algum tipo de dor. E é por isso que essa conversa é tão difícil. Pense nas pequenas decisões que tomamos todos os dias. Existe algo que você faz exclusivamente por você?
Por exemplo: tenho o hábito de ler por apenas dez minutos por dia. Se deixo de fazer isso sem um motivo justificável, como um mal-estar ou uma condição física impeditiva, estou sendo infiel a mim mesma. Por que leio? Porque adoro conhecer outras culturas, aprender coisas novas, aprimorar meu vocabulário, etc. E, a longo prazo, isso faz uma grande diferença. Para outras pessoas, pode ser a academia, uma caminhada, um tempo em silêncio. E faltar com esses compromissos pode causar um enorme desconforto emocional.
Sim, imprevistos acontecem. E essas pequenas “infidelidades” podem até passar despercebidas. Mas… e se isso se tornar a regra, em vez da exceção?
Se pararmos para refletir, veremos o quanto somos fiéis ao que fazemos pelos outros — e o quanto é comum sentirmos culpa ao fazer algo apenas por nós mesmos. Mas… quem é a pessoa mais importante da sua vida?
Você já deve ter notado que esse não é um exercício fácil (pelo menos, para mim, não é). Mas é essencial. Vez ou outra, precisamos fazer uma pausa nos corredores da vida e criar coragem para entrar novamente nessa sala de reuniões que, por vezes, parece tão assustadora. A Supervisora ficará satisfeita por ver que você compareceu em vez de, mais uma vez, inventar desculpas.
Diante de todas as justificativas possíveis, ser fiel a si mesmo é um grande ato de coragem.
E, acredite: essa reunião interna não poderia ter sido um e-mail.






