Ler Pra Quê?

A GAROTA QUE NÃO SE CALOU ┃RESENHA

“Não é a história dos homens. A minha própria história vai chamar a história de uma mulher. A história da Adunni.”

É dessa forma que Abi Daré nos conduz para conhecer a querida Adunni, A garota que não se calou, uma história que nos faz refletir sobre a importância dos nossos valores e sobre acreditar em nossos sonhos.

O ENREDO

Adunni é uma menina de 14 anos que se encontra em situação de extrema pobreza em um povoado na Nigéria. 

O livro começa nos mostrando uma situação muito difícil para a menina. O pai dela não tem dinheiro para pagar o aluguel da casa, e quase não tem dinheiro para comida também. Na mesma casa vivem seus dois irmãos, um mais velho do que ela e o outro bem mais novo. 

O seu pai então lhe conta que a vendeu para um motorista de táxi, chamado Morofu, pelo seu dote, e que ela casaria com ele na próxima semana. Ela seria a terceira esposa de Morofu. Adunni ficou muito revoltada com a decisão, porque quando a mãe dela faleceu, seu pai havia lhe prometido que jamais venderia Adunni para se casar com qualquer homem. Tudo o que a mãe dela queria era que ela estudasse, e foi o que ela fez até que sua mãe faleceu.

Depois disso, seu pai mal tinha dinheiro para pagar pela comida, e a escola não era uma prioridade. Mesmo assim, a menina conseguiu aprender a ler e a escrever, entender o idioma inglês, e passou a ensinar outras crianças que não tinham condições, assim como ela, de pagar uma escola.

Depois de várias tentativas em vão, Adunni não conseguiu convencer seu pai a desistir do casamento. Ela chorou por vários dias. Ela só queria estudar e casada com Morofu, o taxista, ela sabia que suas chances seriam extintas. 

O casamento aconteceu e Adunni conheceu as duas esposas de Morofu. A primeira era Labake, uma mulher revoltada, cheia de ciúmes e mãe de uma menina. A segunda Khadija, que estava grávida, e era mãe de quatro meninas. Adunni estava ali para engravidar de um menino, para seguir o ofício de Morofu. Em troca desse casamento, seu pai não precisava se preocupar com o aluguel e nem com comida.

Em meio à tanta tristeza, ela viu que Khadija era uma pessoa muito querida, e a tratava como se fosse sua filha. Nesse momento, ela se sentiu um pouco protegida, mesmo que Khadija tivesse apenas 20 anos.

Assim se passaram alguns meses, com Adunni e Khadija ajudando uma a outra. Morofu estava feliz porque acreditava que Khadija lhe daria um menino. Ela também tinha certeza disso. Depois que ela começou a sentir um pouco desconfortável, ela pediu para que Adunni fosse com ela até um povoado para visitar uma parteira. Mas não havia parteira nenhuma lá.

 Khadija estava enfraquecida e queria falar com o verdadeiro pai do seu filho. Ela começou a passar muito mal perto de um rio, e Adunni não sabia o que fazer. Khadija morreu em seus braços. Quando ela foi pedir ajuda, começaram a chamá-la de ladra. e se alguém a pegasse, ela ficaria presa. 

Ela correu até o ônibus para voltar para o povoado, mas ao invés disso, foi até a casa de seu pai. E lá ela contou a história toda para ele. Seu pai garantiu que tudo ficaria bem, que ela não foi a responsável pela morte da Khadija e que ele iria resolver isso com o chefe da aldeia. 

Depois que ele saiu, ela arrumou algumas coisas que ainda tinha deixado para trás e fugiu para a casa da tia Iya, uma senhora de idade que era muito amiga de sua mãe. Ela indica seu filho para que ele a leve para trabalhar na cidade de Lagos, na casa de uma mulher muito rica, chamada Big Madamn casada com Big Daddy.

Chegando lá, ela conhece o cozinheiro da casa, chamado Kofi. Ele lhe ensina tudo o que ela precisa saber sobre o lugar, e que ela vai receber dez mil nairas por mês. Acontece que o homem que a levou até lá ficaria responsável pelo seu salário e ele nunca mais apareceu.

Ela descobre, da pior maneira possível, que aquele paraíso não é um paraíso. A inocência de Adunni faz com que as pessoas a menosprezem. Ela tem uma dura jornada de trabalho como empregada, e a Big Madamn a repreende de todos os modos, xingando e na maioria das vezes, lhe agredindo. Big Madam parece ter ainda mais raiva dela com o passar do tempo, porque a menina, em vez de ficar calada, encontra encontra uma pergunta para cada resposta. 

MAS, mesmo cheia de dores, ela tem a esperança de que ela vai sair daquele lugar um dia, estudar e ser professora. Ela sonha em ajudar outras meninas como ela a terem educação.

Ela encontra um lugar para se refugiar, quando Big Madam não está por perto, que é a biblioteca. Ela começa a ler um livro Fatos sobre a Nigéria e a usar o dicionário para procurar pelas palavras que não fazem sentido para a sua mente inocente.

Eis que um dia, Kofi aparece com um jornal onde tem uma notícia sobre Bolsa de Estudos na Nigéria. É um programa que busca ajudar empregas domésticas com idade de 12 a 15 anos, onde elas vão ter a oportunidade de estudar e condições de vida adequadas. Adunni vê ali a oportunidade da sua vida. O único problema é que precisa de um avalista, além de uma redação escrita por ela. E Kofi não pode ser seu avalista porque ele não é nigeriano.

A partir daqui a história se torna ainda mais intensa, nos mostrando situações ainda mais difíceis de serem superadas. A Garota que não se calou nos mostra uma história intensa de sonhos, aprendizados e triunfo. Uma história de esperança e de que devemos ser protagonistas da nossa própria história.

Diagramação do livro.

ANÁLISE GERAL

A Garota que não se calou, da autora Abi Daré, tem 352 páginas intensas, que nos prendem do início ao fim, com a história emocionante da jovem Adunni, uma menina de apenas 14 anos que luta por uma vida melhor.

A obra é narrada em primeira pessoa, e assim conhecemos a Adunni, com sua própria linguagem (que infelizmente, pela fala ingênua, nos escreve da mesma forma), mas que nos permite adentrar em sua essência.

O livro nos mostra as dificuldades de Adunni, tendo que decidir pelo seu futuro, sobre um casamento por obrigação, por um filho que não deseja gerar em seu ventre, pela privação de poder simplesmente estudar.

Além disso, o enredo nos mostra a miséria do lugar onde habita, nos faz percorrer as ruas da Nigéria e conhecer a extrema pobreza, mas também as riquezas do lugar, mesmo que isso revele a falta de comida para alguns. Há também amostras de assédio e abuso sexual que envolvem a personagem, as agressões que ela sofre no seu único refúgio, seu emprego, onde é maltratada pela Big Madam.

De modo geral, o livro nos traz a inocência de Adunni como uma sugestão de vermos o mundo de outra forma. Diante de todas as dificuldades, agressões e sofrimento por não poder estar perto de quem ama, ela luta com todas as forças, para escrever a própria história. 

Livro e revista A garota que não se calou.

A AUTORA

Abi Daré cresceu em Lagos, Nigéria (que por curiosidade, é onde a nossa protagonista vai procurar sua liberdade), e mora no Reino Unido,  há dezoito anos. Ela estudou direito na Universidade de Wolverhampton. A garota que não se calou ganhou o prêmio The Bath Novel para manuscritos inéditos em 2018 e foi selecionado como finalista em 2018 no The Literary Consultancy Pen Factor. Abi mora em Essex com o marido e duas filhas , que a inspiraram a escrever o romance de estreia.

A autora Abi Daré (Foto Gazmadu).

O KIT DA TAG INÉDITOS

O Kit de Abril da TAG Inéditos é composto por:

1. Livro com brochura;

2. Box Colecionável: foi desenvolvido por Anderson Junqueira, que pesquisou grafismos iorubá para sua construção. Enquanto a capa destaca a silhueta da personagem principal, Adunni com um livro em punho, o que traduz a determinação da garota em perseguir sua maior vontade: estudar, a luva e a capa da revista seguem o mesmo caminho, valorizando o perfil de Adunni, ornado com iconografias de sua cultura.

3. Marcador de Páginas;

4. Revista sobre a obra;

5. Mimo: em abril, a TAG Inéditos decidiu brindar com os associados com um mimo que homenageia de uma forma divertida autores muito queridos, como Clarice Lispector, Lima Barreto, Machado de Assis e Rachel de Queiroz. Títulos de livros desses autores consagrados tornaram-se trocadilhos literários e estampam os copos que se tornaram o mimo do mês. Mas por que um copo? A TAG sempre teve a utopia de transformar a literatura em papo de bar, e por isso, não há acessório melhor do que o tradicional copo americano! Tin-tin!

Kit TAG Inéditos Abril de 2021.

ASSISTA AO VÍDEO RESENHA:

Essa foi a resenha do livro A garota que não se calou, da autora Abi Daré , que nos mostra a importância de não desistirmos de nossos sonhos, apesar de todas as circunstâncias que podemos ter pelo nosso caminho, principalmente quando tudo está contra nós.

Espero que você tenha gostado desse post, por isso convido você a assistir o vídeo que preparei:

Se você gostou desse conteúdo, convido você a compartilhar esse post com todos os seus amigos!

Eu fico por aqui,

mil beijos literários e até a próxima!

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