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7 LIVROS PARA ENTENDER A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Quem nunca ficou na dúvida sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro dia 15 de novembro de 1889, que atire a primeira pedra!

A história do Brasil é tão complexa, que existem vários livros sobre o assunto, cada um, com uma abordagem diferente, com olhares diversos, que nos mostram os vários vieses de uma mesma história.

Para te ajudar a compreender um pouquinho mais o assunto, elaboramos uma lista com 7 indicações de leitura para entendermos o que foi, afinal, essa tal de Proclamação da República. Mas antes dessa lista, vamos entender um pouco os fatos:

O CONTEXTO HISTÓRICO

Em 15 de novembro de 1889 acontecia a Proclamação da República Brasileira, também lembrada como Golpe Republicano. O golpe de Estado político-militar, instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, encerrando a monarquia constitucional parlamentarista do Império e, como consequência, removeu o imperador Dom Pedro II, que foi exilado na Europa.

A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação, atualmente mais conhecida como Praça da República, na cidade do Rio de Janeiro, que na época era a capital do Império do Brasil.

Um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país, instituindo um governo provisório republicano, que se tornaria a Primeira República Brasileira.

Mas o golpe teve que ser antecipado. Estava previsto para 20 de novembro de 1889, mas no dia 14, os conspiradores divulgaram o boato de que o governo havia mandado prender Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Deodoro da Fonseca. 

Um pouco mais tarde, se descobriu que tudo não passava de boatos. Isso só facilitou os fatos, porque os revolucionários anteciparam o golpe de Estado, e, na madrugada do dia 15 de novembro, Deodoro se dispôs (na verdade, foi quase que obrigado pelos revolucionários) a liderar o movimento de tropas do exército que colocou um fim no regime monárquico no Brasil.

É claro que, até chegarmos a essa parte da história, muita coisa aconteceu, por isso, elaboramos uma lista com 7 dicas de leitura para que você fique por dentro da história (literalmente falando):

1. A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, de Celso Castro

15 de novembro de 1889: um grupo de militares derruba a Monarquia e “proclama” a República no Brasil. Nesse livro, Celso Castro acompanha passo-a-passo o golpe republicano e retrata seus protagonistas, desvendando os motivos que os levaram à conspiração e narrando como se forjou um dos momentos mais importantes da história brasileira.

A Proclamação da República, de Celso Castro.

2. História do Brasil República: Da queda da monarquia ao fim do estado novo, de Marcos Napolitano

O fim do século XIX e o início do XX transformaram nosso país: finalmente abolimos a escravatura e a chegada de imigrantes de diversos países modificava nossas forças produtivas. E, ainda, um golpe militar derrubou o Império: iniciou-se a República. Com o novo regime, muitos defendiam que o país conheceria, enfim, a liberdade. Porém, a República nascente conheceu ditaduras, negociatas, exclusão da maior parte da população da vida política.

Mas a história da República no Brasil não é apenas a da traição de ideais e de frustração com promessas de liberdade que não se cumpriram. Ela também é a história de uma sociedade em busca de formas políticas, econômicas, culturais e sociais para superar os legados de um passado marcado pela dependência econômica do exterior, pelo mandonismo dos grandes proprietários de terras e pela escravidão. 

Nesta obra, o historiador Marcos Napolitano narra os primeiros momentos da nossa história republicana, do golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca em 1889 ao fim do Estado Novo de Getúlio Vargas em 1945.

História do Brasil República: Da queda da monarquia ao fim do estado novo, de Marcos Napolitano.

3. A formação das almas - O imaginário da República no Brasil, de José Murilo de Carvalho

O que dizem sobre a história de um país os monumentos erguidos em praça pública? Ou as bandeiras e hinos nacionais? Ou, ainda, caricaturas e charges tiradas das páginas de um jornal? 

José Murilo de Carvalho mostra, com a sensibilidade característica dos bons pesquisadores, como esse material pode ser de grande utilidade para se decifrar a mitologia e a simbologia de um sistema político. Por meio de imagens, o autor nos oferece um curioso passeio pelo momento de implantação do regime republicano. 

Entre texto e ilustrações, aprendemos como os mitos de origem criados para a República, seus heróis, a bandeira verde-amarela e o nosso hino traduzem com fidelidade as batalhas travadas pela construção de um rosto para a República brasileira.

A formação das almas - O imaginário da República no Brasil, de José Murilo de Carvalho.

4. Da Monarquia à República - Momentos decisivos, de Emilia Viotti da Costa

Emília Viotti da Costa, professora e historiadora, analisa os diversos momentos que definiram a modalidade de instauração do Brasil republicano. Ao esclarecer as coordenadas dessa passagem, a autora desvela as causas da fraqueza das instituições democráticas e da ideologia liberal, em uma tentativa de compreender as raízes do processo de marginalização de amplos setores da população brasileira.

Da Monarquia à República - Momentos decisivos, de Emilia Viotti da Costa.

5. O Imperador no Exílio, Conde de Affonso Celso

O livro trata dos últimos dias do Imperador D. Pedro II, desde a partida da Família Imperial até seu falecimento em Paris, em 1891; é dirigido à Princesa D. Isabel, pela ótica do Conde de Affonso Celso, filho do Visconde de Ouro Preto, último presidente do Conselho de Ministros do Império, durante a mudança de seu estado político, de crítico a apoiador inconteste do ilustre exilado, na época de um dos episódios mais vergonhosos da história brasileira. 

Não trata do golpe que derrubou a Monarquia, é mais um testemunho da nobreza de caráter e dos valores éticos que orientavam aquele que foi o maior de nossos governantes, sustentado por dezenas de citações de vários personagens históricos. 

Na 2ª parte, narra os esforços para o traslado dos restos mortais de D. Pedro II e da Imperatriz D. Thereza Christina para Petrópolis e narra ainda a história documentada dos esforços para a construção da estátua que homenageia o Imperador em Petrópolis, inaugurada somente 22 anos após seu exílio e 20 anos após seu falecimento, com a presença inclusive das mais altas autoridades da República. 

Por ser uma obra do final do século XIX, tem linguagem da época, por isso inclui um glossário. Contém também índice onomástico e remissivo e vários fotos do Imperador, do hotel onde faleceu, da sua estátua e do autor em solenidades, entre outras.

O Imperador no Exílio, por Conde Affonso Celso.

6. O 15 de Novembro e a queda da Monarquia: Relatos da princesa Isabel, da baronesa e do barão de Muritiba, de Keila Grinberg

15 de novembro de 1889, data da proclamação da República brasileira, foi também o último dia da família imperial no Brasil. Na madrugada do dia 16 para o dia 17, uma pequena comitiva deixou o Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e embarcou rumo ao exílio na Europa. 

A bordo do navio Alagoas, além da família imperial, viajaram criados, o médico do imperador e amigos próximos da família. Entre eles, o casal Manuel Vieira Tosta e Maria José Velho de Avelar, barão e baronesa de Muritiba ― uma das amigas mais íntimas da princesa Isabel. 

A princesa, a baronesa e o barão de Muritiba escreveram seus próprios relatos sobre a queda da Monarquia, a proclamação da República e o exílio da família imperial. Esses relatos ― dois deles inéditos ― estão sendo publicados pela primeira vez em conjunto. Isabel começou a escrever no dia 22 de novembro de 1889, ainda no calor dos acontecimentos, a bordo do navio que os levava para Portugal. “Escrevo tudo isto porque é raro relatar-se exatamente o que se ouve”, afirmava.

Talvez encorajada pela amiga, a baronesa também elaborou, durante a viagem para a Europa, sua própria exposição dos fatos que vivenciou. O barão, por sua vez, escreveu em 1913, quando os três viviam em Cannes. Os três relatos narram os acontecimentos vividos por seus autores entre 14 de novembro e 7 de dezembro de 1889, quando chegaram a Lisboa. 

Estes documentos foram encontrados por acaso em meio a cartas, bilhetes, fascículos de revistas avulsas, livros, folhetos de orações fúnebres, diplomas, convites de casamento e certidões doados pela família Vieira Tosta ao Arquivo Nacional. 

Mais que narrativas pessoais escritas por importantes figuras da Monarquia brasileira, são uma tentativa de dar inteligibilidade ao evento que afetou suas vidas e a história do país. 130 anos depois, esses relatos são também uma oportunidade de reflexão acerca das versões construídas por republicanos e monarquistas sobre a proclamação da República.

O 15 de Novembro e a queda da Monarquia: Relatos da princesa Isabel, da baronesa e do barão de Muritiba, de Keila Grinberg.

7. 1889: Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil, Laurentino Gomes

Nas últimas semanas de 1889, a tripulação de um navio de guerra brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital do Ceilão (atual Sri Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do outro lado do mundo. 

O Brasil havia se tornado uma república. O império brasileiro, até então tido como a mais sólida, estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de Quinze de Novembro. O austero e admirado imperador Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por quase meio século, fora obrigado a sair do país junto com toda a família imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera.

Enquanto isso, os destinos do novo regime estavam nas mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto. 

A obra, que trata da Proclamação da República, fecha uma trilogia iniciada com 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de Dom João para Rio de Janeiro, e continuada com 1822, sobre a Independência do Brasil.

Voltando um pouco atrás...

Essas foram as nossas 7 dicas de leitura para entender um pouco mais sobre a Proclamação da República. Como o assunto é a história do Brasil, você também pode conferir outro dos nossos sobre a Independência do Brasil, que você pode conferir aqui:

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Mil beijos literários,

Até a próxima!

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