Às vezes, reencontro trechos de bilhetes que escrevi há algum tempo. Eles ficam espalhados pela minha mesa de trabalho, presos por clipes na agenda ou perdidos no meio de algum livro. Gosto quando eles me encontram. Digo isso porque tenho muitas anotações, mas aquelas que realmente preciso reler sempre acabam vindo ao meu encontro.
Hoje foi uma dessas ocasiões. Em uma caligrafia desenhada às pressas, lia-se:
"As histórias já estão dentro de nós; elas só precisam ser escritas."
Busquei na memória a inspiração para aqueles versos perdidos naquele rascunho e, então, me recordei. Quem sabe isso também possa inspirar você de alguma forma.
Eu havia marcado um café com uma amiga e, depois de muita conversa, ela me confessou que adorava escrever, mas sentia vergonha do que poderia acontecer se resolvesse espalhar seus versos pelo mundo. Tentei convencê-la — não uma, mas várias vezes — a compartilhar seus escritos. Contudo, ela ainda não se sentia preparada para que as pessoas conhecessem seu universo. E isso não tinha a ver com insegurança, pois ela é uma das pessoas mais confiantes que conheço.
Foi então que ela começou a escrever cartas para as pessoas que amava. Isso mesmo: cartas. Nelas, compartilhava tudo o que sentia e sua visão poética sobre a vida. Talvez você não se identifique com a escrita tanto quanto eu e minha amiga, mas há uma beleza inegável no ato mágico de escrever cartas: você nunca sabe qual será a reação de quem as recebe.
O mistério da espera, a ansiedade pela resposta… A vida é a poesia tentando nos lembrar de que nem tudo precisa ser imediato; algumas coisas levam o tempo que precisam levar.
Não sei se você tem alguém especial para quem possa escrever uma carta ou, quem sabe, um bilhete. Mas, se eu fosse você, eu me arriscaria. Mais do que receber uma carta de amor, há algo de especial em escrever uma, colocando nela todo o carinho e admiração que sente por alguém — seja sua mãe, irmã, avó, pai, cônjuge ou um amigo.
Talvez essa pessoa nunca tenha recebido um gesto de afeto como esse, tão simbólico e nostálgico. Não se preocupe com a quantidade de palavras, mas sim com a intenção que colocará nelas quando a caneta tocar o papel.
Além disso, no dia 14 de fevereiro, celebra-se o Valentine’s Day, data criada para homenagear São Valentim, um padre romano que casava cristãos em segredo. Desobedecendo às ordens do imperador, foi preso e condenado. No dia de sua sentença, enviou uma carta de amor à sua amada. Desde então, sua imagem é associada ao amor, e escrever cartas para aqueles que amamos tornou-se uma forma de celebrar essa data em diversos países.
Então, quando estiver escrevendo a sua, lembre-se desta frase atribuída a São Valentim:
"Que o amor seja a chave que abre todas as portas da felicidade."
Sugestão de leitura:
Nestas cartas apaixonadas e íntimas enviadas a Milena Jesenká, uma jovem escritora que Kafka conheceu e muito admirou, o escritor tcheco revelou um relato comovente de sua solidão e de seu desejo de encontrar uma conexão humana verdadeira, ao mesmo tempo em que mostrou uma natureza complexa e vulnerável. Trata-se de uma obra-prima da literatura epistolar e uma janela para a mente e o coração de um dos maiores escritores do século XX.
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