Ler Pra Quê?

Por que sua mente continua cansada (e como os livros podem ajudar)

Sabe aquela sensação de que você dormiu oito horas, ou até passou o final de semana no sofá, mas a sua mente parece que não parou um segundo? É um cansaço que não sai com sono, é uma exaustão de “excesso de mundo”.

Vivemos em um tempo onde o nosso descanso virou sinônimo de “rolar a tela”. A gente acha que está relaxando ao ver vídeos curtos ou checar redes sociais, mas a verdade é que estamos apenas trocando um estímulo por outro. O cérebro continua em alerta, processando informações fracionadas, luz azul e notificações. O resultado? A gente nunca desliga de verdade.

O livro como um refúgio

Recentemente, comecei a perceber que a leitura é um dos poucos lugares onde a pressa não entra. Quando abrimos um livro, o mundo lá fora silencia. Não há notificações saltando na página, não há algoritmos tentando prender sua atenção à força. É você, o autor e a sua própria imaginação.

Diferente das telas, que nos deixam agitados, a leitura exige um “foco calmo”. Ela reduz o ritmo dos batimentos cardíacos e alivia a tensão muscular. Ler é, na prática, um exercício de respirar fundo através das palavras.

Por onde começar?

Se você está com a mente muito acelerada, não tente ler um tratado de filosofia de 500 páginas. O objetivo aqui não é “bater metas”, é descansar. Comece devagar:

Escolha o prazer: leia algo que te dê alegria, não o que todo mundo está lendo.

Crie um ritual: experimente trocar os últimos 15 minutos de celular antes de dormir por 15 minutos de leitura. Você vai notar a diferença na qualidade do seu sono logo na primeira semana.

Livros para acalmar os pensamentos:

Se você não sabe por onde começar esse “descanso literário”, aqui estão três livros que têm essa energia de pausa e acolhimento:

A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

Nesta emocionante história ambientada no Sul dos Estados Unidos da década de 1930, região envenenada pela violência do preconceito racial, vemos um mundo de grande beleza e ferozes desigualdades através dos olhos de uma menina de inteligência viva e questionadora, enquanto seu pai, um advogado local, arrisca tudo para defender um homem negro injustamente acusado de cometer um terrível crime.

Noite branca é um fenômeno comum na Rússia, em especial em São Petersburgo, em que o sol permanece um pouco abaixo da linha do horizonte ao se por, deixando a madrugada clara. É nesse cenário de atmosfera lírica que dois jovens sonhadores se conhecem em uma ponte. Ao longo de quatro noites, os dois combinam de se ver para falar sobre suas vidas e compartilhar sonhos, angústias e reflexões, até o desfecho inesperado ao final do quarto encontro.

Uma das obras mais conhecidas de Sêneca é, também, um ensaio moral que traz poderosas reflexões acerca da morte, da natureza humana e da arte de viver. Seus princípios de sabedoria, embora escritos há mais de dois mil anos, continuam proporcionando grandes lições na atualidade.

Um livro curto, mas extremamente potente. Krenak nos convida a questionar essa pressa desenfreada da sociedade moderna. Ele propõe uma pausa para “adiar o fim do mundo” através da contemplação e da natureza. É uma leitura que limpa a mente e nos ajuda a desapegar da obrigação de sermos produtivos o tempo todo.

Neste livro, Greg McKeown mostra que, para equilibrar trabalho e vida pessoal, não basta recusar solicitações aleatoriamente: é preciso eliminar o que não é essencial e se livrar de desperdícios de tempo. Devemos aprender a reduzir, simplificar e manter o foco em nossos objetivos.

No fim das contas, ler não é apenas adquirir conhecimento; é dar um tempo para si mesmo. É permitir que a sua mente saia desse modo “alerta” e entre em um modo “presença”.

Experimente fazer isso hoje: só você e um livro, por alguns minutos.

Depois, volta aqui para compartilhar como foi sua experiência.

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