Antônio Carlos Policer é escritor e professor da rede estadual paulista. Iniciou sua produção literária aos onze anos de idade. Em 2021, publicou seu primeiro livro de poemas, “(in)”. Atualmente, reside em Fernandópolis, interior de São Paulo.
Guilherme Mossini Mendel: Quem é Antônio Carlos Policer? Como você se apresenta e se define para o público?
Antônio Carlos Policer: Sou escritor e professor de Língua Portuguesa da rede estadual paulista. Como poeta – minha principal atividade literária – vejo-me como um catalizador de ideias. Minha intenção, ao escrever, é tentar desautomatizar e, por vezes, matematizar a língua.
GMM: Quando e com quem você descobriu a poesia, e em que momento percebeu que era poeta?
ACP: Iniciei minha produção literária em novembro de 1996, aos onze anos de idade. Nesse ano, meu irmão mais velho venceu um concurso literário escolar, na categoria poema. Fui à noite da premiação e fiquei maravilhado com o que vi. No outro dia, ao acordar, peguei um caderno e comecei a rabiscar meus primeiros versos.
GMM: Em que ocasião a leitura entrou na sua vida e qual a importância dela para você?
ACP: Desde que fui alfabetizado, a leitura passou a fazer parte da minha rotina. Tal prática me permitiu entrar em contato direto com o universo literário. Durante a infância e a juventude, li dezenas e dezenas de livros, principalmente de poemas. Passei, também, a estudar literatura, principalmente a brasileira.
GMM: Quais são os poetas, vivos ou mortos, que mais lhe marcaram? Há algum que você considera um mestre ou referência constante?
ACP: Sou fã incondicional de Carlos Drummond de Andrade e li todos os seus livros. Minha maior influência foi Oswald de Andrade, que não é parente do Carlos e tampouco do Mário. Posteriormente, conheci os marginais, e meu estilo começou a se consolidar.
GMM: O que você busca na sua poesia? Qual é a sua intenção ou desejo ao escrever?
ACP: Uso as palavras para que meus poemas, além de lidos, sejam vistos. Tento explorar ao máximo a carga semântica dos signos linguísticos. Valho-me muito dos estudos da semiótica ao elaborar meus textos.
GMM: Para você, o que torna um poema realmente bom? E qual é o favorito dentre os poemas de sua autoria? Poderia nos mostrá-lo, por favor?
ACP: Um poema “bom” é aquele que vai ao encontro da intencionalidade do autor, desde que de modo consciente. Um poema não é apenas um amontoado de palavras estruturadas em versos. É preciso considerar o grau de poeticidade do texto. Quanto mais elaborado, mais poético. Não elaborado no sentido vocabular apenas, mas também em relação às imagens e à semântica criadas e exploradas intencionalmente por meio da escolha, disposição e combinação das palavras. Da minha lavra, um dos meus favoritos é o “poema-flash”, que existe mas não pode ser visto.
GMM: Na sua visão, qual é a importância da poesia na vida das pessoas?
ACP: Nesse sentido, compactuo com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. A poesia – e a arte, em geral – nos salva do excesso de realidade, ainda mais atualmente, quando somos bombardeados a todo momento por informações rasas e, por muitas vezes, inverídicas e destrutivas.
GMM: Como nasce um poema para você? Existe algum processo criativo, ritual ou circunstância que favoreça a sua escrita?
ACP: Não creio na inspiração romantizada. Tudo, tudo mesmo, pode virar poesia. Augusto dos Anjos poetizou o verme e o escarro, por exemplo. Raramente me vem uma ideia pronta e, mesmo quando parece estar, demoro para colocá-la no papel. Parece-me que meu inconsciente fica trabalhando e, quando está pronta, devolve-a para meu consciente. Depois disso, preciso definir entre maiúsculas e minúsculas, pontos, título ou não, vírgula aqui ou acolá – ou em lugar algum… É como esculpir algo.
GMM: Quais são as suas principais publicações, seja em livro ou na internet, e onde o público pode encontrá-las?
ACP: Publiquei um único livro até hoje, que se chama “(in)”. Essa obra foi lançada em 2021 por meio da lei de incentivo à cultura “Aldir Blanc”, por intermédio da Secretaria de Cultura de Fernandópolis – SP, cidade onde resido atualmente. Pode ser adquirido comigo, por meio das minhas redes sociais.
GMM: Que projetos literários você sonha realizar nos próximos anos?
ACP: Estou finalizando um livro de poemas infantis pautados nas hipóteses de apreensão da escrita elaboradas e sistematizadas por Emilia Ferreiro, uma psicóloga e pedagoga argentina. Intento também um romance que explora uma de nossas principais lendas. Ademais, iniciei um livro de filosofia na adolescência que pretendo finalizar futuramente.











