Este canal nasceu de uma indagação: afinal, ler pra quê?
Isso aconteceu há cinco anos, enquanto eu estava sentada em uma poltrona nada confortável, questionando os motivos que me faziam sentir vontade de ler. Ou enquanto eu conseguia ler algumas páginas no trajeto do transporte público que me conduzia até o trabalho; ou, quem sabe, no intervalo do almoço, em que aproveitava os míseros minutos para deixar a lista de leituras atualizada.
A verdade é que não lembro ao certo quando a ideia do canal surgiu, mas me lembro muito bem dos motivos que me conduziram a querer responder essa pergunta infinita: ler pra quê?
A missão
Quando o nome surgiu, logo pensei que o mudaria ao longo dos anos. Mas isso, de fato, nunca aconteceu. Aliás, conforme o tempo passava, mais certeza eu tinha sobre a escolha certa.
Ali estava uma identidade que escapava de minhas mãos, assim como as palavras fazem enquanto escrevo: eu não posso controlá-las.
A missão foi surgindo assim como cada palavra que compõe o pressuposto filosófico por trás dela: não existe uma resposta única, senão eu já a teria encontrado.
Sempre acreditei no poder da leitura. Cresci sem recursos para ter meus próprios livros, mas era a melhor amiga da bibliotecária. Isso me garantia empréstimos mais generosos, se você me entende.
Quando me questionavam o motivo de estar lendo, parecia uma pergunta tola, afinal, por que eu não leria?
Foi através de bons livros que me encantei pelo mundo da escrita, mas isso aconteceu alguns anos mais tarde. Os livros me salvaram da minha pior versão, uma que eu nem conhecia ainda.
Acredito que eles nos transformam em seres humanos melhores. De alguma forma, nos conectam a mundos desconhecidos, criam laços invisíveis que nos enlaçam ao coração de quem os escreve; tornam-nos parte de algo puro, sutil e enigmático, como uma poesia que ainda não foi descoberta.
Assim, talvez o Ler Pra Quê? seja isso: uma pergunta infinita em busca de decifrar o mistério além da literatura. Sua missão é conectar você e eu, e nós ao mundo invisível.
De leitora tímida à comunicadora
A maioria dos começos não é fácil. É como uma prova de resistência para saber se você tem coragem.
Hoje em dia é muito mais fácil sentar na frente de uma câmera de celular e gravar. Mas, naquela época, em que nem mesmo o Instagram sabia quem ele era, eu sentia vergonha de falar diante de uma câmera.
E o pior: como as pessoas me veriam do outro lado.
Confesso que não foi uma das experiências mais fáceis, mas, no dia 31 de março de 2020, encontrei coragem em algum lugar que eu não faço a menor ideia, e gravei e postei meu primeiro vídeo.
E o primeiro, a gente nunca esquece.
Eu era apenas uma garota de 28 anos, com alguns livros lidos e muitos sonhos na gaveta. Tímida, com medo de como seria dar o primeiro passo para ser vista fora daquela porta que lhe era aberta. E, para facilitar tudo, a pandemia de covid-19 eclodiu, e o mundo trancou as portas de suas casas e ligou as telas de seus dispositivos eletrônicos.
Em meio ao pânico que era disseminado pelas redes de transmissão, os poucos livros que estavam na minha humilde estante, tiveram a difícil missão de me resgatar de um mundo perdido e manter a minha sanidade mental.
Ninguém sabia como seriam os próximos capítulos dessa história, e eu me vi diante de uma difícil decisão: continuar lendo e me acalmar ou aproveitar o momento oportuno e criar o canal.
Você já deve imaginar o que escolhi. Mas continuar lendo e acompanhando a tragédia mundial não era algo que me deixava menos apreensiva, então, decidi gravar meu primeiro vídeo. E foi assim que, numa terça-feira, no dia 31 de março de 2020 às 20h, o Ler Pra Quê foi ao ar.
E desde então, eu nunca mais parei.
A leitura durante a pandemia
É claro que eu tinha medo, não só do que aconteceria depois que as pessoas me vissem através de suas telas, mas também de como seria a vida pós-pandemia.
Não tínhamos certeza de nada. Então, encorajada pelo possível fim do mundo, esta que vos escreve não tinha mais nada a perder (além da dignidade, obviamente).
Se os livros eram capazes de me manter tranquila, talvez também pudessem ajudar outras pessoas. A vida foi se transformando ao meu redor, um livro de cada vez.
Começar é doloroso, mas depois do impulso, não dá para voltar atrás. Os primeiros inscritos chegaram — a maioria, pessoas que eu não conhecia — e isso me ajudou muito. Foi por causa deles que hoje posso contar essa história.
Aos poucos, tudo foi se organizando. A pandemia encontrou uma forma de ser contida, e as pessoas tentavam, gradualmente, voltar às suas rotinas. Nesse meio-tempo em que fiquei afastada do meu trabalho, também consegui encontrar ordem mental para ver o mundo sob outra perspectiva.
O mundo me olhou de volta, e então tudo mudou.
Nossa comunicação
O YouTube foi o nosso primeiro passo. Depois, expandimos para este blog, sempre com conteúdos semanais abordando temas como a retomada do hábito da leitura, curadoria de livros essenciais para a estante, resenhas de leituras atuais e muito mais.
A recepção foi positiva, e a audiência cresceu gradualmente. Ainda somos um pequeno canal literário em meio a tantos outros, mas confesso que isso já não importa tanto. Quando olho para trás e vejo a Bárbara de 28 anos, posso sorrir de volta. Sem ela, não teríamos chegado aqui. E sim, ela pagou um preço alto por isso.
Em 2024, deixamos nossa vontade de escrever falar mais alto e criamos as Pílulas da Semana, nossa newsletter gratuita, que busca ajudar seus leitores a cuidarem de suas vidas literárias. Através dela, também é possível acompanhar nossos melhores conteúdos e receber reflexões enviadas todas as terças-feiras diretamente na sua caixa de entrada.
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Essa é a nossa história de forma bem resumida. Acabamos de completar meia década de (r)existência, e ainda bem que temos muitos livros de capa dura – o que, certamente, também funciona como uma armadura. No entanto, não existe guerra contra a literatura; existem apenas pessoas que ainda não se permitiram ser transformadas por ela, mas que podem vir a conhecê-la.
A cada conteúdo que é compartilhado, uma vida pode vir a ser transformada pela leitura. Assim, mantenho a esperança de responder infinitamente à pergunta que deu origem ao nome deste canal, bem como alcançar leitores em todas as partes do mundo.
Pois, uma vez que você se abre para um livro, um universo inteiro também se abre para você.
Esse é o poder transformador da leitura. Essa é a nossa missão.
Obrigada por fazer parte dela.